O Recrutamento de candidatos em potencial é uma atividade que visa atrair pessoas às vagas abertas na empresa. Assim, é esperado que o processo seletivo, após identificar e estimular pessoas a se candidatarem a uma vaga na organização, possibilite distinguir, entre os candidatos, quais possuem o perfil desejado para aprender as tarefas esperadas e possua atitudes e comportamentos compatíveis com o perfil da vaga de Estágio. 

A empresa precisa observar e coletar dados sobre o candidato, de forma a se reduzir suposições, ao invés de obter referências mais seguras para a decisão de contratar ou não. Assim, diminui a chance de errar na escolha daqueles que serão contratados.

Muito se fala de competência, mas afinal o que é isso? 

COMPETÊNCIAS são o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA), que tornam um profissional importante para as organizações.

Obviamente, no caso específico de Estágio, tais requisitos deverão ser ponderados diferentemente, pois, os pressupostos são de que o papel principal do estagiário é aprender, estar disposto a iniciar desde o começo, e aceitar seu status de aprendiz.

São níveis de competências diferentes: saber, saber fazer e querer fazer. 

  • Saber refere-se ao conhecimento
  • Saber fazer refere-se à habilidade
  • Querer fazer refere-se à atitude

Ponderando-se cada uma dessas competências, devemos reconhecer então que o estagiário pode:

  • Saber: saber muito sobre as teorias adquiridas na escola, mas o saber sobre a empresa seus processos, serviços e produtos e demais dados úteis ao desempenho farão parte do próprio estágio;
  • Saber fazer: talvez seja a competência mais elementar na relação, pois a prática das funções necessárias à formação profissional será pequena ou inexistente no candidato e em geral a capacitação neste quesito deverá iniciar pelo mais elementar exercício prático;
  • Querer fazer: é o ponto mais crítico na avaliação, pois é um quesito que se refere à motivação e à postura do candidato e, essa, o candidato tem ou não tem suficientemente para dar mais segurança ao selecionador no processo de escolha.

 

Competências técnicas x comportamentais 

As COMPETÊNCIAS TÉCNICAS estão relacionadas à INTELIGÊNCIA INTELECTUAL (QI – Quociente Intelectual), ou seja, a quantidade de conhecimento formal e acadêmico que o indivíduo conseguiu adquirir (domínio de idiomas, formação acadêmica, domínio de metodologias de trabalho, etc.).

Sendo assim, o candidato poderá apresentar boas notas na escola, que podem ser um dado relativamente útil, de resto, pode ser desejável domínio de algum idioma caso a empresa precise utilizar em algum processo, porém o domínio das metodologias de trabalho não deve ser exigido, o que será suprido pela programação de atividades do estágio.

Já as COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS dizem respeito à INTELIGÊNCIA EMOCIONAL (QE – Quociente emocional), ou seja, o nível de equilíbrio emocional e como o indivíduo se relaciona com as pessoas e tarefas no ambiente profissional. São exemplos de competências comportamentais habilidades como pró-atividade, flexibilidade, criatividade, organização, comunicação, resiliência, relacionamento interpessoal, etc. 

As COMPETÊNCIAS COMPORTAMENTAIS tem sido o principal foco do mercado de trabalho. Num passado não muito distante privilegiava-se a habilidade técnica, e atualmente esse foco passou a dar maior ênfase às competências comportamentais, obviamente sem minimizar a importância das competências técnicas.

Como temos visto em diversas publicações a atitude e a postura do candidato vem sendo avaliada com mais ênfase do que as técnicas, uma vez que o estágio cuidará delas em sua programação.

Existem atualmente muitas técnicas que objetivam auxiliar o selecionador na observação e avaliação das atitudes e comportamentos dos candidatos. É possível através dessas técnicas perceber a consistência de uma determinada atitude, ou seja, quanto de um comportamento corresponde, de fato, a um valor, uma crença real no candidato.

Dessa forma é perigoso dar-se ares de grande cooperador, proativo, resiliente, ou qualquer outra atitude que seja, pois as técnicas existentes podem medir com precisão, e solidez desses traços. Olho-no-olho, sinceridade, coerência, são posturas que podem ajudar o candidato num processo seletivo, pois, uma vez existentes deixarão o candidato menos tenso com a preocupação de “parecer” competente.

Lembramos mais uma vez que o estagiário é um programa para principiantes e tanto o estagiário quanto a empresa precisam levar isso em conta.

O candidato não precisa simular atitudes e comportamentos sem base real e a empresa não deve exigir, entre os requisitos para seleção, competências que farão parte do programa de estágio.

A legislação sobre estágio, uma vez observada pelas empresas será um guia extremamente importante para a composição de seu Programa de Estágio. Pode ser uma atitude bastante desejável ao candidato procurar conhecer esse programa, tanto para sua própria decisão (se a vaga lhe interessa ou não) como também mostrar objetividade e profissionalismo, demonstrar conhecer esses itens ou mesmo mostrar interesse nessa informação.

Essa postura poderá garantir maior efetividade no relacionamento estágio – empresa propiciando maior chance de se concluir o estágio a contento para o candidato em seu aproveitamento de experiências e aprendizagem e para a empresa ao evitar contínuos processos seletivos e o custo correspondente para isso.

 

Autor: O professor Fabricio é Psicólogo, com especialização em Gestão de Pessoas, Psicodramatista e Mestre em Educação, Arte e História da Cultura.