Autor: Prof. O.R. Fabricio*

Faissal et al. (2009, p.127) apresenta um estudo interessante com relação à Utilização de técnicas de seleção por percentual:

  • Entrevista 100%
  • Dinâmica de grupo 78% 
  • Teste de conhecimentos 70%
  • Teste situacional 70%
  • Testes psicológicos 64% 

Existem muitas técnicas mais modernas de seleção de pessoas, mas as entrevistas de seleção continuam sendo o instrumento senão, o mais preciso, um dos mais completos para uma tomada de decisão mais eficaz. 

Porém, é importante ressaltar: 

Com o advento e o grande incremento da informática, e mais do que isso a internet, todos precisamos zelar por nossa imagem, mesmo que virtual. Isso porque embora nossos interlocutores não estejam sempre presentes, no sentido tête-à-tête,(que podemos verter ao português como cara-a-cara), facilmente se pode identificar a origem de um texto, uma mensagem, ou uma imagem. 

Tudo isso vai revelar nossa pessoa, nosso modo de ser e pensar, e, de certa forma, nossa reputação.

Um ditado popular prega que “levamos anos para construir nossa reputação, mas basta um segundo para pô-la a perder” por vezes de forma irrecuperável.

Não há como negar a validade do velho quadro “olho no olho”, mas podemos estar muito mais expostos do que queremos, opiniões, escolhas, posições controversas, frases de impacto   poderão torná-lo alguém indesejável em algumas empresas.

A técnica “Avaliação do rastro social on-line”

Muitas empresas já vem utilizando essa técnica .Trata-se de uma ferramenta que analisa a forma de expressão do candidato nas diversas redes sociais e busca tanto pontos positivos como negativos do seu histórico on-line. O “rastro” deixado no seu dia-a-dia de presença nas redes sociais irá revelar muito mais sobre você quando comparados com o perfil desejado pela empresa recrutadora.

Recentemente tomamos conhecimento da expressão “netiqueta”, que é um neologismo criado para representar a importância de uma atitude responsável em tudo que fazemos nas nossas comunicações em qualquer rede social de que participamos. A etiqueta, educação e ética, a moral que comanda nossa postura expressada no que escrevemos nos apresenta antes mesmo que cheguemos ao processo seletivo em si.

Esse instrumento pode ser um excelente recurso para o selecionador ou recrutador, desde a triagem dos candidatos. O selecionador precisa, por vezes, de alguma forma para escolher os candidatos que lhe interessam frente ao grande número de pessoas, que por vezes atingiram essa etapa. Técnicas ricas para avaliação como as dinâmicas, testes psicológicos, situacionais, etc… representam custos que podem ser reduzidos, mediante essa “peneiragem”.

Vale lembrar que o trabalho do selecionador também passa por avaliação, e um dos critérios, talvez o mais importante no contexto empresarial é a relação custo x benefício de sua rotina. Volumes elevados de atendimento de candidatos nem sempre representam eficácia, ou seja, bons resultados.

Vale também lembrar um referencial importante que pode auxiliar bastante no uso da técnica que avalia o rastro social on-line. É a Cultura Organizacional, o conjunto de valores de uma organização. Tais valores fornecem parâmetros de análise crítica desse rastro. Textos e atitudes que por vezes são “aceitáveis” por uma determinada cultura, podem ser “abominadas” em outra e vice-e-versa.

Como é o ambiente interno da organização? O que ela aceita ou não? O que ela permite ou não?

Essa reflexão aqui desenvolvida nos alerta para a grande importância que as funções de recrutamento e seleção possuem numa concepção estratégica da gestão empresarial.

Numa linguagem muito utilizada entre os jovens atualmente, é importante tanto para os profissionais de R&S quanto para os candidatos perceberam  o “match” resultante na combinação candidato x empresa. Há muito que as funções de R&S de distanciaram do status operacional das funções de Gestão de Pessoas nas organizações. A permanente busca por técnicas mais eficazes e que propiciem redução de custos não para por ai. É um esforço que colabora com o alcance das metas da organização, e não apenas cumprir seu papel funcional.

Cabe a cada um de nós investir continuamente no nosso desenvolvimento profissional bem como evolução pessoal, sempre vigilante ao que fazemos e mostramos à sociedade.

O Mercado de Trabalho prefere pessoas competentes tanto na capacitação técnica como na atitudinal.

 

 

*Ovanil R. Fabrício, Psicólogo com pós graduação em Gestão de Pessoas, Psicodramatista e mestre em Educação, Arte e História da Cultura. Atuou em RH por 25 anos, Consultoria Empresarial por 10 anos. Na área acadêmica, por 20 anos foi docente nos cursos diversos de gestão e em várias disciplinas de RH, foi coordenador pedagógico e orientador de TCC.