Em nosso convívio diário com nossos jovens alunos, temos recebido essa notícia com mais frequência do que queríamos: 

 

“eles exigem experiência… assim não vou conseguir começar a trabalhar nunca…”. 

 

Esses jovens estão concluindo cursos diversos e que sempre nos pareceram formar profissionais para ingresso imediato no mercado, seja em Administração de Empresas, seja em Ciências Contábeis, ou Cursos de Gestão em Tecnologias diversas.

Não diria que isso seja uma grande surpresa, contudo dada a intensidade com que essas experiências têm ocorrido, cremos que cabe aqui uma reflexão mais cuidadosa.

É sabido que o Mercado de Trabalho vem mudando significativamente nos últimos 20 anos. As estruturas das empresas estão cada vez mais enxutas e exigindo perfis com maior diversidade de competências, especialmente a competência de mudar e adaptar-se.

A literatura sobre esse assunto tem tratado muito frequentemente a questão da atitude e disposição frente à mudança. Assim, caso você não possua alguma experiência concreta para relatar, reforce suas qualidades pessoais (Mas seja sincero!).

Apresentamos algumas atitudes e cuidados que o candidato deve ter para causar melhor impressão nesse momento, que é considerado o mais importante no processo de seleção, a entrevista:

 

Como candidato: 

  1. Numa entrevista, não chegue muito cedo e muito menos, atrasado; quanto ao vestuário, perfumes e maquiagem – sem exageros, use trajes e maquiagem adequados ao ambiente da empresa, perfumes fortes podem ser indesejados (o entrevistador pode ter alergia ou não gostar de perfumes);
  2. Desligue o celular;
  3. A importância da pesquisa – conhecer a empresa antes da entrevista; a internet é uma ótima ferramenta para isso; mas o mais importante, conheça o seu currículo
  4. Problemas pessoais só interessam a você; se perguntado a respeito, responda de forma objetiva de modo que atenda ao que foi perguntado;
  5. Dizer que é fluente em idiomas e não ser. Diga sempre a VERDADE;
  6. Falar com erros de pronúncia – se você não souber pronunciar alguma palavra, não a use, busque um sinônimo; algo inadequado é também o baby talk: – quer dizer, falar com tons infantis ou contar histórias consideradas infantis; se for contar, porque viu correlação com o que está sendo tratado, faça com alguma brevidade e retorne ao que interessa;
  7. Falta de energia e entusiasmo – pode revelar desânimo, às vezes desinteresse;
  8. Nunca mencione nomes (chefes anteriores, professores, etc…). O entrevistador (a) pode conhecê-los e isso revela uma falta de discrição; 
  9. No diálogo com o entrevistador:
  • olhe firme, seja objetivo (a), 
  • mantenha um gestual simples e de poucos movimentos, 
  • evite falar muito alto: use um tom semelhante ao do entrevistador; isso gera empatia; 
  • evite entrar em discussão, você pode dizer, se não houver outra saída, diga que não concorda totalmente, mas entende a posição de quem entrevista; 
  • quanto a palavrão, nunca use – nem se o entrevistador usar um, hoje em dia é menos comum, mas no passado o palavrão soava como absoluta falta de educação; 
  • evite responder sim ou não: respondendo, justifique os porquês, ser monossilábico não ajuda nada, ao contrário, afasta você de emprego; 
  • arrogância nunca – a arrogância afasta o interlocutor e quebra a empatia e na maioria das vezes é a exata tradução de uma profunda insegurança;
  • experiência – se você nunca teve emprego não invente ou, como às vezes ocorre, não relate a experiência de alguém conhecido como sua; você pode cair numa segunda ou terceira pergunta, quando o entrevistados buscar aprofundar a avaliação sobre determinada vivência; nesse aspecto, temos algumas sugestões:

 

Já desenvolvemos reflexões algumas vezes sobre a importância do fator atitudinal na apreciação de um profissional, quando em processo seletivo. Assim, se você não tem uma experiência verdadeira sobre determinado trabalho, declare isso e passe a apresentar suas qualidades e habilidades e competências gerais (matemática, informática, redação, habilidade de relacionamento, de liderança, de comunicação capacidade de integração social, interesses artístico-culturais, etc…).

Certa vez entrevistei um candidato inteligente, com formação pessoal e social muito boas e estava cursando Arquitetura.

Dada à estrutura do curso, o candidato tinha atividades escolares o dia todo, e o máximo que havia conseguido eram atividades complementares que integralizavam sua carga horária na escola. Nunca havia conseguido estagiar ou trabalhar.

O candidato possuía um curriculum escolar invejável, mas o que mais nos impressionou positivamente foi que, em determinadas férias escolares foi a Teresópolis visitar os tios. Sua tia era muito engajada em causas ambientais e o convidou para juntar-se a uma equipe que fazia jornadas de coleta de lixo na Serra dos Órgãos. O candidato relatou com detalhes interessantes como participou e sentiu-se realizado com essa atividade.

A comunidade profissional da área organizacional e Gestão de Pessoas já vinha nos chamando a atenção para esse tipo de dado curricular. Sim existe uma diferença significativa entre o jovem que participa ou tenha participado de algum projeto dessa natureza, e o que não participou ou não revele interesse por eles.

Supomos que esteja muito clara a relevância de se ter ou não experiência quando se tem um potencial para adquiri-la dentro de prazos e condições específicas.

Vale ressaltar que num processo seletivo, não é só o selecionador e a empresa que escolhe o candidato, mas o candidato também deve escolher a vaga e a empresa. 

Entendemos que a motivação e a satisfação para o desempenho de qualquer tarefa pode ser fator de saúde (física e mental) ou de estresse e doenças físicas.

Mentir ou inventar traços que não tem ou interesses pessoais só prejudica a melhor colocação do candidato e seu futuro na carreira que inicia.

A escolha é sua.

 

Autor: O professor Fabricio é Psicólogo, com especialização em Gestão de Pessoas, Psicodramatista e Mestre em Educação, Arte e História da Cultura.