INTRODUÇÃO

O ambiente empresarial vem descobrindo a importância do fator mudança na vida moderna assim, as organizações estão permanentemente alertas às novidades do mundo dos negócios.

Joel Arthur Barker, um estudioso futurista americano desenvolveu uma obra muito significativa sobre A visão do futuro e a mudança de paradigmas nesse contexto.

Visão do futuro é algo indispensável para qualquer tipo de empreendimento tanto na vida das pessoas, quanto na vida das organizações, especialmente quando irá desenvolver seus Planos Estratégicos. 

Barker mostra por meio de exemplos reais, o quanto é importante se ter claro aonde se quer chegar a médio ou longo prazo. Explica esse autor que sem se ter uma definição clara e específica a busca de objetivos e metas se torna dispersa e desperdiça energia de todos envolvidos no processo.

Joel Barker desenvolveu uma obra sobre a importância da Visão do Futuro, onde mostra por meio de exemplos concretos a diferença entre uma pessoa, ou uma empresa que tem clara sua visão do futuro que pretende alcançar e aqueles que não possuem tal clareza.

Desde presos num campo de concentração, na segunda guerra mundial, até alunos de uma escola pública no Brooklin ele apresenta casos que tiveram resultados surpreendentes quando tinham a visão e quando não a tinham.

Alguns presos em Auschwitz sobreviveram ao holocausto, e quando entrevistados contaram que mantiveram sua visão do futuro, imaginando-se em um lugar confortável, limpo e quente. Alguns alunos sem perspectiva de ir à faculdade numa escola pública do Brooklin, bairro pobre de New York, na década de 1980 obtiveram sucesso, quando foram estimulados a olhar e definir imagens claras de seu futuro e receberam ajuda financeira de um senhor muito bondoso.

Essas coisas se aplicaram a pessoas, mas Joel Barker demonstra o efeito visionário também para empresas. A lição é: não reagir aos fatos circundantes, mas tomar iniciativas e buscar os objetivos que definir com clareza e detalhar tudo o que se quer alcançar. Falamos em proatividade.

Quanto à questão dos paradigmas, vale explicitar a maneira com que Joel Barker conceitua tal palavra. Em explicação do autor:

“paradigma é um padrão, uma forma de conceituar e agir mediante diversas situações.”

Assim, por meio de exemplos, ele vai ilustrando sua tese:

  • A maneira como a dona de casa limpa sua cozinha,
  • A forma como dirigimos,
  • Hábitos criados há muito tempo, do qual não abrimos mão, até por questão de costume,
  • Outros padrões de comportamento e entendimento das coisas.

Joel Barker mostra em sua obra, exemplos de negócio e oportunidades perdidas por grandes empresas porque não abriram mão de seu modo costumeiro de fazer e pensar.

1 – A Kodak, conceituadíssima no setor de fotografia, recebeu um inventor com um estranho kit  com o qual desenvolveu uma nova forma de “fotografar”. Tinha uma caixa de madeira com uma lâmpada forte, um pó preto e um acetato que “copiava uma imagem contida num papel”.

O pesquisador da Kodak que assistiu a demonstração do inventor riu daquela coisa esquisita e agradecendo pediu ao inventor que se retirasse. Mas o inventor riu por último, ele havia inventado a Xerox com aquele material. Não conseguimos imaginar uma empresa sem esse recurso até os dias de hoje, mesmo com o advento da internet e dos recursos da informática.

2- Outro exemplo que Joel nos apresenta é o do relógio a quartzo na Suíça, em New Chatel. Até o ano de 1967, o relógio suíço dominava grande fatia do mercado relojoeiro, mas um inventor apresentou às indústrias relojoeiras suíças, um novo modo de montar relógios 1000 vezes mais precisos do que os mecânicos, o relógio a quartzo. Os pesquisadores das indústrias ridicularizaram sua invenção. O inventor apresentou seu trabalho na feira mundial de relojoeiros e daí foi como fogo no paiol. Os japoneses e a Texas Instruments viram seu invento e hoje sabemos o resultado. 

Infelizmente, a Suíça perdeu sua grande fatia de mercado e teve que demitir 60% do seu quadro de funcionários em 1968.

E sabe onde foi inventado o relógio a quartzo? Lá mesmo, na Suíça. Mas esse novo invento não atendia aos paradigmas clássicos da relojoaria, sem mancais, sem os componentes do relógio tradicional.

Joel Barker nos alerta para que evitemos fazer de nosso paradigma “o paradigma”, ou seja, “meu modo será sempre o melhor modo de proceder e pensar”.

Considerando então que mudar é aprender, se sua empresa está aberta a novos paradigmas ela terá chances de aprender, com isso evoluir e aproveitar as chances que as mudanças e a evolução do contexto lhe são oferecidas.

Sempre haverá uma forma melhor de se fazer algo, novas crenças, e novas formas de conceituar e realizar coisas. 

Essa abertura à novidade será então um caminho excelente para definir a visão de futuro com as metas que se deseja atingir.

Yeda Swirski de Souza, (Tese de Doutorado – PUCRS, 1999). nos dá grande contribuição sobre esse tema:

“O conceito de aprendizagem organizacional ganhou notoriedade na década de noventa, embora presente há mais tempo na literatura sobre teoria econômica das organizações. 

A ênfase nesse conceito e sua retomada são atribuídas ao forte valor explicativo que apresenta para processos de mudança organizacional, lembrando-se que a preocupação em favorecer aprendizagens ocorre num contexto competitivo no qual a inovação em produtos e processo fundamental à sobrevivência de organizações. Se em suas abordagens iniciais, no contexto da teoria econômica da firma, falar em aprendizagem organizacional significa avaliar resultados de desempenho, na medida em que o conceito é apropriado pela teoria das organizações, o foco passa a ser os processos…”.

“Busca-se compreender que estruturas organizacionais, que políticas de gestão de pessoas, que cultura, que valores, que tipos de liderança, que competências, que aspectos, enfim, podem favorecer ou criar obstáculos aos processos de aprendizagem.”

Para Yeda de Souza é importante saber identificar e aproveitar as oportunidades de aprendizagem organizacional: 

Apresentamos a seguir a lista de algumas das possíveis oportunidades que Yeda Souza selecionou em seu trabalho:

“a) Que a aprendizagem organizacional é chave para a competitividade e sobrevivência de organizações;

b) Que a aprendizagem organizacional é um fenômeno ao mesmo tempo individual e coletivo;

c) Que a aprendizagem organizacional está intrinsecamente relacionada à cultura das organizações”;

Ao ler esse texto você, recrutador ou selecionador pode estar se fazendo perguntas do tipo: como minha organização está buscando, contratando e desenvolvendo estagiários? 

Questões importantes para se responder a tais perguntas então poderiam ser: 

  • Minha empresa é uma organização que aprende? 
  • Têm ocorrido mudanças em minha empresa nos últimos dois anos, por exemplo?
  • Especificamente: como se deu a transição da situação de contratação de estagiários do período antes da chegada da lei 11.788 e depois? 
  • Sua empresa se adaptou a essa nova realidade, ou continua procedendo da mesma maneira?

Isso tudo pode significar se estão ocorrendo mudanças de paradigmas, e se busca ter uma visão clara do futuro pretendido para a organização.

E aos candidatos a vagas de estágio terão um diferencial para escolher seu empregador entre organizações que aprendem e aquelas que não evoluem, ou não se modernizam. Todos precisam estar atentos ao que está acontecendo no mundo, tanto empresas como pessoas. Assim poderá estar se livrando de pegar sempre o “último bonde” da história.

 

Autor: O professor Fabricio é Psicólogo, com especialização em Gestão de Pessoas, Psicodramatista e Mestre em Educação, Arte e História da Cultura.